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Arronches: Terra de Memória e Futuro

Nada e criada em Arronches. Foi aqui que comecei o meu percurso académico, como tantos outros. Mas foi em Coimbra que descobri a paixão pela arqueologia e a vontade de saber mais, mais sobre esta terra e a sua história.

Durante a elaboração dos trabalhos do primeiro ano do mestrado, comecei a debruçar-me com mais certeza sobre o passado de Arronches. Entre dias passados no campo a fazer prospeções e horas a estudar o material recolhido, Arronches deixou de ser apenas uma vila protegida pelas ruínas do que outrora foram as suas muralhas, tornou-se um território por explorar.


Um sítio onde, para onde quer que olhe, há história: um povoado da Idade do Ferro, uma villa romana, memórias perdidas no tempo.

Base de coluna romana

Há uma calma que se estende pelos campos, pelos montes e pelas ruas, como se o tempo tivesse aprendido a caminhar devagar. É essa lentidão que nos ensina a olhar melhor, para as pedras e para as vozes antigas que ainda ecoam nos muros.


O que me liga a esta vila não é apenas o lugar, mas o modo como ela se inscreve na memória. São os rostos que se cruzam todos os dias, as conversas que começam sempre do mesmo modo e acabam em riso, o som do sino ao longe, o vento que dobra o trigo.

Fragmento de bojo de ceramica comum romana

É a certeza de que, mesmo quando partimos, há sempre um caminho que nos traz de volta como um fio invisível que nos prende ao que fomos e ao que queremos continuar a ser.


Nesta vila há histórias que se repetem e se reinventam, como quem lavra o mesmo campo em cada estação. E é nesse gesto simples, no quotidiano que se renova e que mora o sentido de pertença: a terra como casa, como memória viva, como promessa de futuro.

Fragmentos de cerâmica comum da idade do ferro

Arronches é uma terra onde o passado não dorme. Sente-se sob os pés, no toque da cal das paredes, no brilho do sol que se deita sobre as muralhas. Cada colina guarda segredos de outros séculos; cada caminho repete o passo de quem o percorreu antes de nós.


Há sítios onde o silêncio tem mais a dizer do que qualquer palavra, e este é um deles. Há lugares que moldam a nossa forma de ver o mundo. Arronches é um desses lugares, onde cada pedra guarda uma história, e cada caminho nos fala do tempo e da memória.


E é por esse motivo, que aceitei fazer parte deste projeto, para mostrar que Arronches não é só aquilo que conseguimos ver no nosso dia-a-dia mas o que foi outrora e que a maioria não conhece e não vê.

Ponte romana

Por
Catarina Grilo

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