Home / Geral / No princípio era o Verbo: como um convite se tornou num projeto

No princípio era o Verbo: como um convite se tornou num projeto

Se me pedissem, na rua, em Arronches, para me apresentar, eu diria o seguinte: sou a filha do Chico e da Maria da Encarnação. E quase de certeza, isso daria azo a todo um desfolhar da árvore genealógica, em que, por tentativas problematizadas, a interlocutora ou o interlocutor chegaria à conclusão de que também sou neta do Zé Oleiro e da menina “Lexandrina”; neta do Manel Cachapa e da Hermínia Grilo. Às pessoas mais novas, isto não dirá nada, mas para mim diz tudo e é o que basta, pois se hoje aqui estou, o devo a quem me precedeu.


Fazendo este exercício de ter consciência de onde vimos e de quem descendemos, é essencial ter em conta que “no princípio era o Verbo” e, por isso, a palavra escrita tem um papel fundamental nas nossas vidas, mesmo que a banalização do uso quotidiano a releve para um plano secundarizado.

Tudo se escreve, desde a lista de compras para não esquecer o que adquirir no supermercado, até ao poema que alguém compõe e que parece ter sido escutado ao ouvido (assim diria Sophia). Tanto no clássico papel, como no suporte tecnológico de última geração, a escrita continua a ter uma função estruturante na nossa existência, sem a qual não é possível (sobre)viver.


Por isso, a César o que é de César, neste caso não o imperador, mas o amigo César Galão, que me lançou o desafio de participar n` ”A Forte Arronches”. Foi ele que pensou o projeto, o desenvolveu, juntou pessoas distintas e muito interessantes, criou e tornou coesa a equipa, definiu papéis, distribuiu tarefas, fez reuniões. Tudo com um tato, um profissionalismo e um cuidado humano que raramente se encontra na vida em geral e no trabalho em particular. Então, face a um contexto tão positivo, como dizer não a um amigo de infância e a um projeto que apaixona ao primeiro contacto?

Venho então apresentar o que pretendo fazer no Ano 1 (2026) desta revista, isto é, um conjunto de textos, intitulados “O Lugar, a Pessoa, o Artefacto”. Explico melhor: partir de um (ou mais) objeto(s) – o Artefacto – e da evidente ligação a Arronches – o Lugar – pretendo falar sobre gente(s) – a Pessoa – que tem/têm um papel de revelo no concelho. Não me refiro à “importância”, pois isso é tão relativo quão difícil de definir, mas antes a situações que vou conhecendo e com as quais me deparo.

A escolha está influenciada pelo fruto das minhas vivências quotidianas, sobretudo a distância, já que moro em Coimbra há muitos anos. Todavia, a ligação permanece através do contacto diário com os meus pais, através de amigas e amigos com quem falo regularmente e também com as visitas (sagradas!) em período de férias, sobretudo durante o mês de agosto.


O que vai resultar daqui? Sinceramente, ainda não tenho a certeza, mas há algo com o qual podem contar e que é a partilha de observações, de detalhes e de reflexões, que resultam acima de tudo da beleza das pequenas coisas, as quais contribuem para o todo, isto é, para a identidade social e cultural de um território que nos une, enquanto ponto de partida do início da nossa existência ou de um projeto de vida, no caso das pessoas que não são do concelho, mas que, em determinado momento, escolheram viver em Arronches.

Então que o Verbo se faça palavra e que a palavra se transforme em texto. Até breve!

Por
Fátima Velez de Castro

Marcado:

Deixe um Comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *