Era ainda manhã quando entre os homens que conversavam à porta do Damásio, surgiu a notícia!
Aquele era o lugar apropriado para se saberem as novidades. Ali, em pleno Largo da Cadeia, à porta e dentro da taberna, as notícias circulavam apressadas.
Umas trazidas pelos passageiros da “Setubalense” que, ali faziam paragem, outras pelos inúmeros homens que ali se juntavam diariamente ou, pelas mulheres que entrando pela porta lateral junto às cavalariças da GNR, iam abastecer-se de frutas e hortícolas na loja que funcionava paredes meias com a Taberna.
Já nasceu o filho da Guida e do Alexandre. É um rapaz!
Fora a filha da tia “Maria da Boca Aberta”, a parteira de então, que descendo a escadaria do Convento da Luz, trouxera a notícia.
Começou assim a minha ligação a Arronches, corria o 17º dia do mês de agosto de 1953. Até hoje!
Passados 26.373 dias (à data em que escrevo, 30-10-2025), vividas muitas histórias e acumuladas muitas memórias, a criança que então nascera no nº 6 do Convento da Luz é hoje pai e avô e independente do local em que viveu e trabalhou, um cidadão de Arronches. Sempre!
É este arronchense quem, desafiado pelo César Galão, se propõe vir regularmente ao vosso encontro para convosco partilhar as suas memórias, as suas inquietações e, sim os velhos também os têm, os seus sonhos.
Procurarei trazer-vos “a minha Arronches”. As ruas, os recantos, as vivências e sobretudo as nossas gentes: Arronchenses que construíram a história da nossa terra a partir de grandes e pequenos feitos, gentes que aprendi a respeitar.

Ao mostrar-vos a “minha Arronches” e os homens e mulheres com quem convivi ou que conheci através das conversas com familiares e amigos procurarei deixar-vos, igualmente, os sonhos que animaram o meu viver. Os que deixaram de ser sonhos e se transformaram em presente e em passado e os que se mantêm como tal e continuam a animar o meu caminhar.
E tudo isto, tendo eu presente que o meu olhar sobre passado, presente e futuro é sempre condicionado pela minha postura cívica e política de homem de esquerda.
Também aqui a “minha esquerda”: humanista, solidária, inclusiva e respeitadora das diferenças, de todas as diferenças.
Espero não desiludir, os leitores e o amigo (companheiro de escola do meu filho) que me desafiou para esta aventura.
Abraço-vos
Diogo Júlio Serra

Por
Diogo Serra










