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Arronches: Memórias da Primeira Grande Guerra (1914 / 1918)

“Temos a obrigação de salvar tudo aquilo que ainda é susceptível de ser salvo, para que os nossos netos, embora vivendo num Portugal diferente do nosso, se conservem tão Portugueses como nós e capazes de manter as suas raízes culturais mergulhadas na herança social que o nosso passado nos legou”
Jorge Dias

Entre nós e o passado há por vezes uma névoa que nos impede de ver a realidade com nitidez, levantar esta pequena névoa é o que pretendemos ao dar a conhecer este inédito (penso eu) Programa Festivo. Os documentos históricos são fontes entre o passado e o presente e fundamentais para que a comunidade reconheça e preserve a sua identidade cultural, entenda as suas transformações sociais e também lhes permita compreender a sua história…

Sejamos claros, estudar o passado não é ficar preso ao “antigo” mas sim registar, reconhecer e aprender com o que aconteceu. Assim podemos concluir que estudar os documentos antigos é sem dúvida uma forma de valorizar a cultura e manter viva a “história “e a identidade da comunidade Ao recordar o passado podemos concluir que os nossos antepassados viveram também uma vida com amores, ódios, paixões, lutas, divertimentos, festas e até alguns deles eram poetas e músicos…

No dia 3 de Junho de 1917 realizou-se em Arronches uma Récita Infantil para ser” expressamente cantada por um grupo de crianças em homenagem às Nações Aliadas (1) e em benefício da Cruzada das Mulheres Portuguesas de Arronches (2) intitulada“ Canção dos Aliados” que tinha como autor da letra o Sr. Francisco Máximo de Oliveira (3) e da Música Sr. Joaquim A.L. Restolho…

arquivo “A Forte Arronches” – gentilmente cedido por Daniel Balbino

1)Interessante a política de Alianças neste conflito assim tínhamos de um lado Os Aliados: Inglaterra-França-Itália-Bélgica-Rússia (quem diria) Sérvia e Portugal e do outro lado os Impérios Centrais: Alemanha, Império Austro-Húngaro, o Império Turco-Otomano e a Bulgária.

arquivo “A Forte Arronches” – gentilmente cedido por Daniel Balbino

(2) A Cruzada das Mulheres Portuguesas foi uma organização fundada em 1916 por iniciativa de mulheres da alta sociedade de Lisboa, e que tinha como Presidente Elzira Dantas Machado esposa do então Presidente da Republica Bernardino Machado e entre outras personalidade a ilustre pedagoga Ana de Castro Osório. Este movimento marcou de forma indelével a participação activa das mulheres portuguesas no esforço de guerra, num tempo em que a sua presença na esfera pública ainda era muito limitada e tinha como objectivo apoiar os soldados portugueses e as suas famílias (viúvas e órfãos) durante o conflito. A Cruzada das Mulheres Portuguesas é considerado um marco na história do feminismo português, na sua participação cívica feminina e também na sua importância ao apoio em tempos de guerra. Em Arronches a Presidente deste movimento cívico era a Dª Palmira Alves dos Santos irmã do Dr. Luís Alves dos Santos.(4)
(3)O Sr. Francisco Máximo de Oliveira era avô da Dª Ana Maria Pires Gromicho.
(4) O Dr. Luís Alves dos Santos, ilustre médico natural de Arronches onde exerceu a sua actividade clinica e foi durante anos Presidente da Conferência de S. Vicente de Paulo de Arronches, movimento católico de leigos que desempenhou um papel fundamental no apoio às famílias social e economicamente mais carenciadas.

Considerando que o folheto esteve durante alguns (muitos) anos dobrado impede que se consiga ler na totalidade o verso referente a Portugal assim vou transcrevê-lo na totalidade:


Portugal, velho guerreiro
Vai cumprir o seu tratado
P`ra mostrar ao mundo inteiro
O valor do seu soldado.
Vai marchar, para a vitória
Contra os bárbaros teutões
Para alcançar a glória
Com o troar dos canhões

Por
Daniel Balbino

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