Domingos Sidónio Trabuco Agapito, “Dodo”, era artista plástico, um prodigioso inventor de imaginários, um tecelão de cores, colagens, desenhos que brotavam do sonho, da dor e da angústia…nos seus trabalhos utilizava botões, meias de nylon, pétalas de flores, penas de pavão, conchas, cadernos escolares, brincos, colares de plástico, capas de revistas, naperons de papel, canetas missangas … materiais de uso quotidiano e sem valor a olhos vulgares. Das suas mãos, objectos corriqueiros, ganhavam vida… nascia arte.
Tinha sensibilidade e raro dom de ver beleza no “piroso”, de re(a)cordar o que estava adormecido… transformar o caos em harmonia, poetizar o banal, escapando por isso a quaisquer normas e padrões estabelecidos. Dodo era amigo de casa e de conversas sem sono.
Um dia, cansado, incompreendido, disse adeus à vida, voltou as costas ao mundo, deixando um oceano de cores por terminar. Pensando bem, talvez Dodo não tenha morrido, apenas se escondeu nas telas, nas tintas e nos objectos triviais que o rodeavam, como se fossem (ecos de) deuses silenciosos. Poeta do absurdo… das fragilidades humanas e do perfume das coisas simples …
Dodo nasceu em Arronches … era meu amigo….
Daniel Balbino


arquivo “A Forte Arronches” – gentilmente cedido por Daniel Balbino










